Maristela Alves Mergulhão
O objetivo principal desse texto é mostrar a importância de trabalhar e resgatar certos valores em casa, na comunidade escolar e na sociedade como um todo e nos levar à reflexão de um assunto fundamental para a nossa vida.
Estamos vivenciando uma perigosa crise de valores. Todos os dias observamos flagrantes de intolerância, frieza, descaso, de falta de ética e moral. Nossos filhos e alunos estão perdidos porque muitos de nós também perdemos a noção do razoável e nos acostumamos com o erro. Por que assistimos nossos jovens ficando tão infelizes, correndo atrás de uma satisfação cada vez mais efêmera? Por que buscam viver no limite, no perigo, expondo-se cada vez mais? Por que estamos vendo, cada vez mais, as crianças apresentando comportamentos inadequados, com os quais, muitas vezes não sabemos lidar? A resposta a todas essas questões está, a meu ver, na falta de valores sociais e morais.
Vivemos em uma sociedade bombardeada por inúmeros problemas. Entre eles, talvez o maior responsável por quase todos os outros, seja a perda dos valores. Valores que norteiam nossas ações, que distinguem com clareza o certo e o errado, que deveriam ser ensinados desde criança e que, de alguma forma, foram se diluindo. Esses valores permeiam nossas vidas em todos os âmbitos e todos nós, pais, professores, alunos, colegas e familiares, estamos sentindo a dificuldade em mantê-los.
Apesar desses ensinamentos serem de responsabilidade familiar, a escola tem o papel fundamental para a sua transmissão e sedimentação. É na escola que as crianças e os adolescentes passam a maior parte do tempo, e onde diversas situações acontecem entre eles. Portanto, é no ambiente escolar que os valores devem ser cotidianamente reforçados e cobrados. E quais valores são esses? Eles são o respeito a si mesmo e ao outro, a responsabilidade por seus atos, a noção absoluta de limites, a tolerância e, sobretudo, a capacidade de ouvir e avaliar diferentes visões, o que podemos nomear também como humildade. A falta deles reflete diretamente no comportamento das pessoas, que levam essas lacunas para seus relacionamentos e vivências, gerando uma conduta inadequada dentro e fora de casa, estabelecendo assim, uma inversão de valores e a incapacidade de resolver problemas. No ambiente escolar, há algumas maneiras de trabalhar valores, os jogos e competições afloram os instintos de coletividade, de ajuda e companheirismo. Por meio de conquistas e frustrações podemos trabalhar de forma concreta todos os valores aqui mencionados. Nas ações diárias, nos momentos de intervalo e até mesmo em processos avaliativos, conseguimos viver os valores. E essa é a importância da escola, é nela que tudo acontece. Contudo, o direcionamento pedagógico se faz mister para a implementação desse modo de vida.
Portanto, apesar de serem considerados “fora de moda”, descartáveis e às vezes até errados, só conseguiremos viver com justiça e correição se conseguirmos mostrar, sobretudo através de nossos exemplos, como os valores são necessários para a construção de um mundo mais justo, divino e fraterno.
Se observarmos atentamente, veremos que não há incentivos ou estímulos para a prática de atitudes valorosas. A retórica que se escuta e o que lemos nas redes sociais, por exemplo, é que não compensa praticar o bem, não é bom ser honesto, ser gentil e humilde. O apelo ao errado é muitas vezes maior e mais explícito do que o outro lado, e isso acontece em todos os lugares. Neste contexto caótico da ausência do certo, sentimos dificuldade em concretizar algo que sempre foi natural em nossa vida. É preciso confiar em nossos ensinamentos para que a confiança no bem, no amor e nos valores que aprendemos desde pequenos, não se abale. É preciso ter claramente definido nosso papel de autoridade familiar, que define as regras de conduta que nossos filhos e alunos seguirão.
A Bíblia sempre tratou dos valores como peça-chave para o desenvolvimento cristão de cada ser humano, crente ou não. Os valores morais advindos dela são perfeitos e devem ser seguidos por todos nós. Acerca do tema aqui discorrido, cito um pensamento de São João Paulo II: “Creio não me enganar ao reconhecer em vós este potencial de virtudes cívicas e cristãs. Num mundo em que tantas vezes se nota a dolorosa presença de jovens cansados, marcados pela tristeza e por experiências negativas, sede para eles amigos sábios, guias experientes e treinadores não só nos campos desportivos, mas também nos caminhos que conduzem às metas dos verdadeiros valores da vida. Assim juntareis à satisfação agonística benemerências de ordem espiritual, oferecendo à sociedade um contributo precioso de saúde moral. E dareis à Igreja a alegria de ver em vós filhos fortes, leais e generosos. – 12 de maio de 1979.”
A nós cabe a formação e integridade dos nossos filhos. Ainda que o mundo lute para mudar todas as coisas de lugar, precisamos crer e ensinar o que é certo, o que é de Deus. Encerro esse texto com uma exortação bíblica que muito me apraz, por acreditar que somos responsáveis por eles.
“E estas palavras, que hoje lhe ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.”
Deuteronômio 6:6-7
6 E estas palavras, que hoje lhe ordeno, estarão no teu coração;7 E as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. 8 Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.